Confiar não foi o erro

“Jesus perturbou-se em espírito e declarou: ‘Digo-lhes que certamente um de vocês me trairá’.” — João 13.21, NVI

Depois de uma traição, a pessoa que foi ferida pode começar a pensar que confiar foi o erro. Em vez de perguntar apenas por que o outro agiu assim, passa a se perguntar: “Por que confiei?”, “Como não percebi?”, “Será que fui ingênuo?”

A dor se mistura à vergonha. Aos poucos, quem sofreu a deslealdade pode começar a tratar a própria confiança como motivo da traição.

Mas confiar não foi o erro. O erro foi receber confiança e usá-la para ferir.

Judas não era um estranho. Era um dos Doze. Havia caminhado com Jesus, ouvido suas palavras e participado da vida do grupo. Mesmo sabendo o que aconteceria, Jesus ficou “perturbado em espírito”. Conhecer antecipadamente a decisão de Judas não tornou a traição menos dolorosa.

A abertura de Jesus para Judas não transferiu para Jesus a responsabilidade pela entrega. A escolha continuava pertencendo a quem decidiu trair.

O salmista também conheceu a dor de ser ferido por alguém próximo:

“Mas logo você, meu colega, meu companheiro, meu amigo chegado, você, com quem eu partilhava agradável comunhão.” — Salmo 55.13–14, NVI

A ferida é profunda justamente porque existia comunhão. A confiança ofereceu proximidade, mas não produziu a maldade. Quem recebeu essa proximidade escolheu não honrá-la.

A culpa no lugar certo

Talvez, hoje, você reconheça sinais que antes não percebeu. Não há problema em admitir que precisa crescer em prudência, observar melhor a coerência entre palavras e atitudes ou levar mais a sério alguns alertas.

Aprender com o passado, porém, é diferente de assumir a culpa pela escolha de outra pessoa.

Você pode reconhecer que ignorou alguns sinais, mas não torne isso a causa da traição. Amadureça sem transformar sua capacidade de confiar em motivo de vergonha. Nem tudo o que hoje parece evidente poderia ter sido compreendido antes que a verdade viesse à luz.

A dor pode torná-lo mais atento, mas não conclua que toda proximidade é perigosa. Quando a vergonha transforma a confiança em defeito, a deslealdade do outro continua exercendo poder sobre sua história.

Jesus conhece a dor de ser ferido por alguém próximo. Por isso, ele recebe as perguntas que temos e ainda não encontraram resposta.

Confiar não foi o erro. O que aconteceu pode ensinar prudência, mas não transforma a escolha do outro em responsabilidade sua.

Reflita

Que acusação você tem dirigido contra si mesmo por causa da deslealdade de outra pessoa?

Pratique

Divida uma folha em duas partes. De um lado, escreva: “O que aprendi com essa experiência”. Do outro: “O que não é minha culpa”. Não confunda aprendizado com condenação.

Ore

Senhor Jesus, liberta-me da culpa que não me pertence. Cura minha confiança ferida e dá-me prudência sem endurecer meu coração. Amém.

Você pode fechar o celular agora e viver isso hoje.

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