Este devocional faz parte da semana ligada à mensagem “Perturbações da Alma — Jesus diante da sua hora”, quarta mensagem da série As Aflições deste Mundo. Nesta série, temos visto que Jesus conhece nossas aflições por dentro da experiência humana. Hoje, olhamos para a sinceridade de sua oração: “Pai, salva-me desta hora?”
“Pai, salva-me desta hora?” João 12.27, NVI
Existe uma sinceridade na oração de Jesus que precisa nos alcançar.
Diante da sua hora, com o coração perturbado, Jesus coloca diante do Pai a possibilidade do livramento: “Pai, salva-me desta hora?” A frase é breve, mas abre espaço para algo que muitos cristãos escondem: o desejo de ser poupado.
Nem sempre temos coragem de dizer isso em oração. Pensamos que pedir livramento revela fraqueza, imaturidade ou falta de entrega. Então tentamos formular palavras mais aceitáveis, mais firmes, mais espirituais. Mas a Bíblia está cheia de orações nascidas do desejo de socorro. Os salmos clamam por livramento. Os profetas choram diante de Deus. Homens e mulheres fiéis pedem proteção, cura, direção e resgate.
Jesus também leva ao Pai o desejo de ser poupado. A diferença está no lugar que esse desejo ocupa. Em Jesus, o desejo de livramento é apresentado ao Pai, mas não governa a missão. Ele abre a alma diante do Pai e permanece em comunhão com ele.
Uma antiga sabedoria pastoral lembra que Deus recebe a sinceridade da alma, mesmo quando a oração nasce sem muita forma. Isso é importante, porque em momentos de perturbação a oração pode chegar pequena, trêmula, incompleta. Ainda assim, ela pode ser verdadeira.
Você pode dizer a verdade. Pode confessar que gostaria de ser poupado de uma conversa, de uma notícia, de uma espera, de uma perda, de uma decisão ou de um processo difícil. Essa confissão não precisa virar exigência. Ela pode se tornar entrega.
A oração cristã amadurece quando levamos ao Pai tanto o pedido de socorro quanto o desejo de permanecer fiéis. Podemos dizer: “Pai, salva-me desta hora”, e também aprender, em Cristo, a continuar diante do Pai até que nossa alma consiga orar: “Glorifica o teu nome.”
Jesus atravessou sua hora por nós. Por causa dele, até nosso pedido de livramento pode ser apresentado ao Pai com verdade, confiança e esperança.
Reflita: Qual livramento você deseja, mas talvez tenha medo de confessar a Deus?
Pratique: Leve esse desejo ao Pai com sinceridade. Não transforme o pedido em exigência; entregue-o como oração.
Ore: Pai, eu gostaria de ser poupado desta hora. Recebe minha oração com misericórdia. Ensina-me a confiar em ti enquanto caminho.