A oração da alma abalada

Este devocional faz parte da semana ligada à mensagem “Perturbações da Alma — Jesus diante da sua hora”, quarta mensagem da série As Aflições deste Mundo. Hoje, vamos refletir sobre alma abalada e fé, especialmente quando a perturbação vem acompanhada de culpa e a pessoa começa a imaginar que estar aflita é sinal de fracasso espiritual.

Pr. Aristarco Coelho

“Agora meu coração está perturbado...” João 12.27, NVI

Uma das dores mais difíceis de carregar é aquela que vem depois da própria perturbação.

A pessoa já está inquieta por causa de uma notícia, de uma decisão, de uma conversa ou de uma espera. A oração já está menos fluida. Os pensamentos já voltam ao mesmo ponto. Então surge outra voz, mais silenciosa e mais dura: “Se eu tivesse mais fé, não estaria assim.”

Essa culpa espiritual pode tornar a alma ainda mais cansada. Em vez de levar a perturbação ao Pai, a pessoa começa a se examinar com severidade. Tenta parecer firme, tenta organizar a mente, tenta orar com palavras melhores, como se Deus só recebesse uma alma quando ela já conseguiu se recompor.

Ed René Kivitz escreveu: “Não existe oração errada. Aliás, a oração errada é aquela que não é feita.”1 A frase nos lembra que a oração verdadeira nem sempre começa bem formulada; muitas vezes, começa apenas sincera.

Alma abalada e fé diante de Deus

João 12 nos ajuda a respirar com mais verdade.

Jesus está diante da sua hora. A cruz se aproxima. O caminho da entrega está diante dele. E, nesse momento, ele diz: “Agora meu coração está perturbado.”

A alma abalada de Jesus revela a humanidade real do Filho diante da hora que se aproxima. Sua perturbação se torna lugar de oração.

Isso não transforma toda inquietação em algo bom. Algumas perturbações precisam de arrependimento, cura, discernimento e correção. Mas João 12 nos impede de tratar toda alma abalada como fracasso espiritual. A fé também ora com a alma tremendo.

Afinal, maturidade cristã não é fabricar aparência de serenidade. É aprender a levar a verdade da alma ao Pai. É dizer: “Pai, meu coração está perturbado”, e permanecer diante dele com sinceridade.

Cristo conhece esse território. Ele assumiu nossa humanidade, atravessou sua hora e abriu o caminho até o Pai. Então, por causa dele, você não precisa esconder a alma abalada para orar. Pode se aproximar com verdade, pedir direção e receber graça para caminhar.

Reflita: Você tem tratado sua perturbação como convite à oração ou como prova de fracasso espiritual?

Pratique: Quando perceber culpa por estar abalado, transforme a acusação em oração: “Pai, minha alma está inquieta; conduze-me na tua presença.”

Ore: Pai, minha alma está abalada. Livra-me da culpa que me afasta de ti. Ensina-me a orar com verdade e confiança.


  1. Ed René Kivitz, “A oração simples”, Ultimato. ↩︎
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