O Verbo se fez carne e afetos

Este devocional faz parte da semana ligada à mensagem “Perturbações da Alma — Jesus diante da sua hora”, quarta mensagem da série As Aflições deste Mundo. Hoje, vamos contemplar a humanidade de Cristo e o consolo de saber que o Filho de Deus assumiu nossa condição com corpo, afetos, limites, relações e alma.

Pr. Aristarco Coelho

“Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós.” João 1.14, NVI

A humanidade de Cristo consola nossa alma

A perturbação de Jesus em João 12 nos leva ao centro da fé cristã: o Filho de Deus assumiu nossa humanidade de maneira verdadeira.

João afirma que o Verbo se fez carne. Isso significa que Jesus entrou em nossa história com corpo, limites, relações e afetos. Ele conheceu fome no deserto, cansaço junto ao poço, lágrimas diante do túmulo, tristeza diante da incredulidade e, em João 12, a alma perturbada diante da sua hora.

Além disso, a humanidade de Cristo não foi aparência. O Filho eterno veio ao nosso encontro na condição humana real. Sentiu o que pertence à vida humana, sem pecado, e atravessou tudo em comunhão com o Pai.

Cristo assumiu nossa condição de verdade

B. B. Warfield dedicou um estudo clássico1 à vida emocional de Jesus, mostrando que os Evangelhos apresentam Cristo como plenamente divino e também profundamente humano, com emoções verdadeiras e santas. Essa perspectiva nos ajuda a contemplar Jesus com reverência: plenamente humano, perfeitamente santo, verdadeiramente compassivo.

Por isso, nossa oração muda.

Quando a alma está agitada, podemos imaginar que Cristo nos olha com estranhamento. Pensamos que nossa inquietação nos coloca longe dele. No entanto, o Evangelho nos apresenta um Salvador compassivo, que conhece nossa condição por tê-la assumido. Ele sabe o que é ter a alma alcançada por uma hora difícil.

Hebreus diz que não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas. Temos Cristo, que entrou em nossa humanidade e permanece como Salvador vivo diante do Pai.

Aproxime-se do Salvador compassivo

Por isso, você pode se aproximar dele com verdade. Sua oração não precisa esconder a fragilidade, nem vestir a alma com uma força que ela ainda não tem. Cristo conhece o caminho da alma humana. Ele atravessou sua hora por nós, ressuscitou dos mortos e intercede pelos seus.

Assim, a perturbação da alma não o afasta de Cristo. Ela pode se tornar justamente o lugar onde você descobre a ternura do Salvador encarnado.

Reflita: Como muda sua oração saber que Cristo conhece a alma humana por tê-la assumido?

Pratique: Ao orar hoje, aproxime-se de Cristo como Salvador compassivo. Nomeie uma fragilidade real diante dele, sem tentar parecer mais forte do que está.

Ore: Senhor Jesus, tu conheces minha humanidade. Recebe minha oração com graça e verdade. Conduze minha alma à presença do Pai.


  1. B. B. Warfield, referência de The Emotional Life of Our Lord. ↩︎
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