“Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome.” Mateus 4.2, NVI
Este é o segundo devocional da semana ligada à mensagem “Atalhos — Jesus no deserto”, da série As Aflições deste Mundo. No texto anterior, vimos que nem todo caminho mais curto leva ao destino certo. Agora, permanecemos no deserto para contemplar uma frase pequena e cheia de consolo: Jesus teve fome. Antes de falar dos nossos atalhos, precisamos enxergar a humanidade real de Cristo.
Jesus teve fome e permaneceu Filho
Uma frase pequena em Mateus carrega um mundo inteiro. O evangelista poderia apenas dizer que Jesus foi tentado no deserto. Também poderia destacar o confronto espiritual, a resposta bíblica ou a vitória sobre o tentador. Antes disso, porém, ele nos faz parar diante de uma informação simples: Jesus teve fome.
Essa frase nos lembra que o Filho de Deus entrou de verdade na nossa humanidade. Ele não passou pela vida como alguém imune ao corpo, ao limite, ao cansaço ou à espera. Pelo contrário, ele sentiu a fragilidade de quem precisa e ainda não recebeu. A fome de Jesus era real. Portanto, a tentação que chegou nesse lugar também era real.
Isso consola nossas próprias fragilidades. Muitas vezes imaginamos que a fé deveria nos tornar sempre fortes, serenos e resolvidos. Então, quando sentimos necessidade, ficamos envergonhados. Temos fome de descanso, de cuidado, de estabilidade, de companhia, de direção. Algumas dessas fomes revelam apenas que somos humanos, limitados e dependentes.
A necessidade não nos torna menos amados
Henri Nouwen insistia que a vida espiritual começa quando aprendemos a ouvir novamente a voz que nos chama de amados. No deserto, essa voz é essencial. Pouco antes da tentação, o Pai havia declarado que Jesus era o Filho amado. Ainda assim, Jesus sentiu fome. A fome não apagou essa voz. A escassez não tornou Jesus menos Filho. O limite não significou ausência do Pai.
Por isso, talvez hoje você precise ouvir isso com calma: estar cansado não significa estar distante de Deus. Precisar de ajuda não significa falta de fé. Sentir fome na alma não o torna menos amado. O caminho cristão começa quando levamos nossa fragilidade ao Pai.
Jesus teve fome. E permaneceu Filho.
Reflita: Que necessidade você tem tratado como vergonha, quando poderia levá-la ao Pai em confiança?
Pratique: Nomeie diante de Deus uma necessidade que você tem tentado esconder. Não a transforme em culpa nem em decisão apressada. Apenas apresente-a ao Pai.
Ore: Senhor Jesus, obrigado porque tu conheces minha fraqueza. Ajuda-me a levar minhas necessidades ao Pai com confiança, sem esquecer que sou amado. Amém.
Você pode fechar o celular agora e viver isso hoje.